Castelo de Areia - ZéVitor
Castelo de Areia - ZéVitor
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Feat de ZéVitor e Konai, Castelo de Areia transcende ondas passageiras
A história de Dom Quixote é conhecida. Fidalgo cavaleiro que decide sair em busca de aventuras e, obcecado por Dulcineia, uma mulher imaginária, passa a enfrentar moinhos de vento como se dragões fossem.
Dizem que a pessoa por quem a gente se apaixona é sempre uma invenção. Nesse sentido, entre o célebre personagem de Cervantes e o da canção Castelo de Areia, de ZéVitor e seu fiel escudeiro Konai, não há mesmo muita diferença: "Você é fruto de um devaneio/Noite passada eu nem lembrava meu nome/Eu bebi para esclarecer e escureceu/Só percebi quando te vi indo pra longe de mim/Pra que lutar assim".
A letra dessa – e, em última análise, a de todas as recentes composições de ZéVitor – contém aspectos distintos e, quase sempre, complementares. Não é fácil, afinal, mesclar imagens contemporâneas, como o Whatsapp, e medievais, como “castelo”, “rei” e “rainha”, sem perder o fio da meada. Sim, a faixa começa com “Minha mensagem não fica azul/Você nem visualiza" e termina com "Eu vim de muito longe, cavaleiro andante/Me chamo Dom Quixote e não sou como antes”.
Num contexto atual, porém, quem pode negar que certos códigos de comunicação – ou falta de –, tenham se tornado os dragões que nos separam de nossas Dulcineias? –imaginárias ou não.
Pois se a temática predominante das canções de ZéVitor é o bom e velho amor que se desfaz, em termos estéticos sua obra vai se configurando um consistente mosaico de intertextualidades e referências místicas, da alta literatura às cartas do tarô, sem deixar de ser, contudo, pop e facilmente assimilável. Vide, por exemplo, as HQ's de Lucas Paixão que acompanham este release e compõem o conceito visual desse single, por assim dizer, quixotesco.
LETRA
Minha mensagem não fica azul
Você nem visualiza
Minha doce flor do sul
Ações tão imprecisas
Silêncio gigantesco
E o medo a deriva
Silenciam–se os segredos
Outra forma de vida
Olha pra mim, diz você amor
Se o nosso sonho termina assim
Como algo que nem começou
Os devaneios que ameaçam dar o fim
Fazer o que, meu bem
Não tem pra onde correr
Mundo gira também e às vezes não dá para esconder
O olhar entrega o que não poderia ver
A rainha do castelo não é mais você
Sua ida do nosso pequeno mundo
Os dragões e sua ira vieram e destruíram tudo
Acabou o paraíso
Hoje sou rei de nada
Um castelo de areia tomado pela água
De onde você vem (x3)
Ahahhhh
Eu vim de muito longe, cavaleiro andante
Me chamo Dom Quixote e não sou como antes
Eu aprendi que a vida não é um romance
É mais uma comédia meio de relance
Você é fruto de um devaneio
Noite passada eu nem lembrava meu nome
Eu bebi para esclarecer e escureceu
Só percebi quando te vi indo pra longe de mim
Pra que lutar assim
O mar é sempre o mesmo e nunca vai mudar
Cada navegante sabe navegar
Calma, alma, a vida é muito louca, segue o fluxo e vira a página
Sua ida do nosso pequeno mundo
Os dragões e sua ira vieram e destruíram tudo
Acabou o paraíso
Hoje sou rei de nada
Um castelo de areia tomado pela água
De onde você vem (x3)
Ahahhhh
Eu vim de muito longe
Cavaleiro andante
Me chamo Dom Quixote e não sou como antes
Eu aprendi que a vida não é um romance
É mais uma comédia meio de relance.

