ACONTECEU - ZéVitor
ACONTECEU - ZéVitor
Mais uma do EP Amor e Minimalismo, a faixa Aconteceu, do carioca ZéVitor, segue a linha da anterior Café Amargo. Clima intimista e violões bem executados sob uma letra de coração partido que faz lembrar os célebres versos de Manuel Bandeira: "A vida inteira que poderia ter sido e não foi."
Pode parecer muito denso para um jovem compositor de 21 anos, mas a melodia, quase falada, é leve e contagiante o suficiente para impedir até o mais atento ouvinte de se sentir pra baixo.
Perguntada recentemente sobre a capacidade de produzir músicas tão profundas com tão pouca experiência de vida, Billie Eilish disse que esse é precisamente o seu segredo: "Ou você conhece alguém que torne tudo tão intenso quanto um adolescente?" – completou a cantora.
E nessa mescla de letras consistentes, arranjos delicados e uma voz contemporânea, ZéVitor tem demonstrado que também não é mais garoto. Ao contrário: é porque se refere às relações humanas, sobretudo amorosas, de maneira simples e direta que a nova faixa, já em sua primeira estrofe, soa tão atual, embora pudesse ter sido escrita vinte ou trinta anos atrás: "Aconteceu o que ia acontecer/Entre nós sempre podemos dizer/Deixe pra trás o que possa nos perder/Vai que esse amor vem nos surpreender."
Mais à frente, ZéVitor dá mais uma amostra de seu rico vocabulário e do interesse por mitologia que lhe é peculiar, como uma espécie de assinatura de suas letras: “Cheio de devaneio, amor de veraneio/Raios e tempestades/Vazio cheio, delírio perfeito/Hostes e potestades.”
Aconteceu o que ia acontecer
Entre nós sempre podemos dizer
Deixe pra trás o que possa nos perder
Vai que esse amor vem nos surpreender
A grande arma da vida é saber amar
E o grande mal do amor é levar a má fama
De pessoas que se perdem nesse caminhar
Porque os derivados do fim a muitos engana
Eu tô cansado, mas de consciência limpa
O que me afligia, não me aflige mais
Tudo é tão chato, você é diferente, poxa, fica
Todos são tão iguais
Quem sou eu pra evitar virar e correr
Não querer mais ficar e quase enlouquecer
Sem querer me apegar, universo traz você
Ainda me faz te encontrar, quem iria prever
E o inferno mental, minha alma pede calma
O coração impulsivo, e o amor só ressalta
Tudo quase impossível, memória não se acalma
Tempo imprevisível aquele que nada abala
Sua resposta invisível, indivisível
O ego pseudo-invencível não é mais compatível
Criou um abismo intransponível
Tão, tão distante, seu amor diluível
Cheio de devaneio, amor de veraneio
Raios e tempestades
Vazio cheio
Delírio perfeito
Hostes e potestades
Aconteceu o que ia acontecer
Entre nós sempre podemos dizer
Deixe pra trás o que possa nos perder
Vai que esse amor vem nos surpreender

